segunda-feira, 6 de setembro de 2010

TRISTEZA

De vez em quando, sem razão aparente, sem motivos lógicos, vem um sentimento de Tristeza que a gente não consegue entender e nem explicar.
Um aperto no coração, um buraco no estômago, uma vontade enorme de chorar.
Parece queda de energia Vital, que a resistência baixou que a imunidade está abalada.

Não temos vontade de fazer nada, queremos mesmo é ficar quieta, num canto escuro, sem conversar com ninguém, sem pensar em nada.
Baixa um bode, que nos tira do chão, ou melhor, nos enterra em um buraco fundo, escuro, sem ar.

Dali a pouco, devagarzinho, a gente vai se animando, reagindo, levantando, e começa a retornar a nossa Energia Natural, e vamos voltando a viver o dia a dia.

Às Vezes é rápido, outras nem tanto, outras ainda demoram muito até que a gente retome o que somos na íntegra.

Cada vez mais fico sabendo de Pessoas que passam por isso. Até mesmo casos mais graves que demoram anos para voltar ao seu estado natural.

Mas parece que é geral, tem um dia, uma época, que todos nós passamos por esses momentos, essa Tristeza inexplicável.

Ou Será que tem explicação.

Seria a Vida cada vez mais corrida, e o inconsciente dá um breque, para podermos descansar?
Será que são tantos desafios, tantos enfrentamentos de dificuldades, tantas responsabilidades a assumir, que chega uma hora que a mente decide diminuir o ritmo?
Será que é o cansaço da lida da vida, que nos faz perder a energia?
Será que é a época em que estamos vivendo, com tudo muito intenso, corrido, pesado, ansioso, preocupado, que vai sugando nossas energias?

Não sei, mas um grande remédio é encontrarmos formas de nos reabastecer, de nos alimentar de pensamentos bons, de energia boa, para podermos superar os momentos de baixa.

Deise Fernandes.

domingo, 29 de agosto de 2010

LEGADO

Faço parte de uma lista de Deficientes Visuais, onde partilhamos livros Digitalizados, e hoje chegou um livro com o título Legado, não abri o arquivo ainda, mas esse é um tema que me intriga já a algum tempo.

Qual será o Legado que eu deixarei.
O que tenho construído que de fato servirá de exemplo, orientação para os que virão depois de mim?
Como eu serei lembrada? Melhor, como eu sou lembrada hoje pelos que me conhecem?
Quando alguém fala de mim, o que será que vem na cabeça dessa pessoa como característica que me define?
Qual é a impressão que deixo nas pessoas?
Se pedisse para alguém me descrever, o que ela falaria?

É claro que tenho uma auto-imagem, mas será que é a mesma das Pessoas?
Será que eu me enxergo como os outros me enxergam?

Por outro lado, como eu vejo as pessoas?
O que guardo em mim como Legado das Pessoas que conheço?
Reconheço em mim pedaços da convivência que tenho com as Pessoas?

Como me lembro dos meus amigos e mesmo os conhecidos?
O que eles me ensinaram?

Quase nunca paro para pensar essas coisas, não tenho valorizado e reconhecido o quanto as Pessoas da minha Vida me ensinaram, me ajudaram a ser o que sou hoje.

São detalhes, uma frase, uma situação, um momento, mas que ficam gravados em nós o resto da Vida.

Tomara que eu esteja construindo um Legado.
Tomara que por onde eu passe deixe uma experiência boa.
Tomara que as Pessoas que me conheçam tenham boas recordações de mim.

Pelo meu lado, vou cada vez mais guardar lembranças boas das Pessoas que passarem por minha vida.
Vou prestar atenção e valorizar só os fatos positivos.
Vou agradecer a todos que me ensinaram alguma coisa, por mínimo que seja, mas com certeza compõe a Pessoa que sou.

Vou agradecer a Vida, pelas oportunidades, pelo aprendizado.
Vou me abrir para ensinar o que sei e aprender o que ainda não tive ocasião.
Vou querer solidificar meu Legado.
Vou pensar em escrever um livro com minhas experiências.

Deise Fernandes.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

GRIPE

Nessa semana meu corpo tomou conta de mim.
Logo de manhã ele simplesmente me disse: Não sei o que vc vai fazer, mas eu vou ficar deitado.

E eu não consegui me levantar, não fui trabalhar. Não consegui fazer nada, o corpo reclamava minha inércia cada vez que eu tentava fazer um movimento, por menor que fosse, não conseguia. Se insistisse, a dor nas costas, na cabeça, nas pernas, nos braços, as vezes até no céu da boca, eram lancinantes.

Bem no meio da semana, com um milhão de coisas a fazer, a estudar, e eu na cama, sem vontade, sem coragem, sem condições de fazer nada.
Tinha que tomar uma decisão, ficava quieta, dormindo, aproveitando para descansar, ou ficava mais nervosa, angustiada, ao lembrar de tudo o que estava parado a minha espera.

Resolvi esquecer dos compromissos e cuidar do meu corpo.
Já fazia tempo que não tinha esses cuidados.
Na verdade, só estava tendo nesse momento porque foi ele quem me obrigou a faze-lo.

Pierri Weil já disse em seu livro que o “corpo fala”, que nos envia sinais, que nos avisa quando precisamos parar, diminuir o passo, parar de correr e começar a andar.
Se a gente insiste em não ouvir, não demora muito ele se impõe e nos leva para a cama.

Ainda não me sinto totalmente curada, mas já consegui me levantar e começar a retomar a Vida normal.

Tomara que ele não precise me colocar deitada novamente,para que me lembre de parar de vez em quando e descansar um pouco.
Tomara que as possibilidades da Vida, me deixem respeitar as possibilidades do meu físico.
Tomara que a Mente entenda que é mais rápida que o corpo e consiga diminuir o ritmo para que eu consiga Caminhar sempre e estar Inteira.

Deise Fernandes.

domingo, 15 de agosto de 2010

AGOSTO

O mês de Agosto é inteiro especial.
É o que vem logo depois das férias, por isso estamos todos descansados.
É o que mais venta no ano, e assim o que temos a maior sensação de frio.
É mês do Folclore, tem Evento em todas as Escolas e em outro tanto de lugares.
Tem dia dos pais, o céu fica colorido de Pipas, não tem feriado, tem 31 dias.
É mês do cachorro louco, das Bruxas, da magia, da ficção, do Fantástico.
Esse ano, será 13, sexta-feira e Agosto! Vai ter muita gente com dente de alho, ramo de arruda, ferradura, banho de sal grosso para se proteger das energias desse dia.


Tem muitas estórias, histórias, contos e causos sobre o mês de Agosto, mas para mim, é o melhor mês do ano!

Tudo de bom acontece nesse mês. Grande parte das melhores coisas que passei na minha vida se realizaram ou deu início em agosto.

Fico esperando Agosto chegar, porque sei que tudo se resolverá, se encaminhará, e melhor, terei grandes surpresas boas!

Já me disseram que não é o mês, mas a minha crença que faz Agosto um mês tão especial.

Será? Pode ser, mas o que mais interessa mesmo, é que estamos em Agosto, que tudo de bom está acontecendo e vai acontecer coisas maravilhosas.

Porque é Agosto. Porque o Vento forte leva todas as mágoas, tristezas, dúvidas, e vai deixando espaços livres para o Novo, a descoberta, o aprendizado, as realizações.
Porque todos nossos sentidos ficam em alerta, e conseguimos perceber a magia no ar.
Porque Agosto desperta nossas intuições, e para aqueles que souberem ouvir e Ver, conseguirão encontrar as respostas.

Porque Agosto é um mês fértil onde poderemos plantar todas as sementes, que elas desabrocharão em Setembro.

Agosto é de fato um mês muito especial. Acreditem e conseguirão perceber essa verdade.

Deise Fernandes.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MULHERES!!!

Escrever sobre Mulheres, não é uma tarefa fácil. Existem muitos aspectos que merecem ser abordados e valorizados na vida de uma Mulher.

Um aspecto que gostaria de refletir são nossas contradições ou seria flexibilidade?
O fato é que parece que temos duas pessoas dentro de nós.
Em alguns momentos cuidamos de nosso corpo, passando dias inteiros sem comer para emagrecer 100gramas, que sem saber com, a balança teima em nos mostrar.
No outro dia, porém, comemos uma caixa de Bis, inteirinha, e nos sentimos super feliz em fazê-lo.

Umas vezes fazendo uma economia danada, sem comprar nem uma bala, para conseguir pagar um sonho maior. Outras, porém, compramos sapatos e bolsas de todas as cores da vitrine, e nos sentimos tão bem!

Às vezes estamos super donas de casa, arrumamos todas as gavetas, armários, limpeza total, e ainda temos força para fazermos um super jantar com sobremesa e tudo, outros dias... semanas... meses.... nem olhamos para os armários e muito menos para a cozinha.

Existem os meses que temos TPM de matar, e no mês seguinte, nem percebemos que estamos menstruadas.

Tem época que somos produtivas, comprometidas, criativas em nossas profissões, outras estamos desanimadas, cansadas, enjoadas de trabalhar.

Somos versáteis, flexíveis, abertas e influenciáveis pelo clima, Sol, cor da roupa, gestos, olhares, tudo e qualquer coisa pode nos mudar de humor e de ânimo.

Em definitivo, não somos fáceis de ser entendidas.
Aliás, na verdade, acho mesmo que nem queremos que alguém consiga.

Queremos encontrar nosso próprio jeito, nossas soluções, nosso equilíbrio.

Queremos ser desse jeito. De um jeito que não tem jeito, e por isso é Especial em cada Mulher.


Deise Fernandes.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desafio de Vencer.

Desafio, segundo o Aurélio, é provocação.
Vencer: alcançar vitória ou vantagem, triunfar, ter bom êxito, obter resultado favorável.

Todos nós queremos vencer, ser vitoriosos.
E o que é vencer?
Para que queremos vencer?
E quando vencemos o que sentimos? Qual é a nossa vitória?

Muita gente nos considera vitoriosos. Somos de fato?
Lutamos muito para chegar até aqui. Estudar, Arrumar emprego, até mesmo termos algumas coisas materiais, fizemos muito para conseguir, quantas vezes amanhecemos acordados, estudando, até mesmo pensando como faríamos para resolver isso ou aquilo, para conseguirmos superar os obstáculos, que existem em tudo que fazemos.
Em todos os níveis, em todos os nossos papeis temos momentos de superação de desafios.

Quando de fato temos uma vitória, conseguimos vencer alguma coisa, que tenha valor para nós, e as vezes é absolutamente só para nós, sentimos uma imensa satisfação, uma alegria intensa, somos uma pessoa realizada, inteira, Vitoriosa.
Mas em pouco tempo, esquecemos, caí na rotina, não parece tão importante, outras coisas começam a surgir nas nossas vidas e a gente quer mais.

Quantos de nós tínhamos que entrar na faculdade era um grande feito, uma grande realização. Mas agora, depois de tanto tempo, e no meu caso, muito tempo! Eu terminei a faculdade em 79. já nem me lembro mais de como foi aquela vitória, e nem a alegria que senti quando consegui entrar na UNICAMP. Agora quero outros cursos, quero participar de congressos, de palestras, de conversas com quem entende de algum assunto. Já nem me lembro dos anos de faculdade.

Existe apenas uma conquista que não é assim.
É o desafio de Vencer a nós mesmos.
O Desafio de Vencer nossos limites, nossas dificuldades, nossos defeitos, nossa inércia.

Vencermos o desafio de não perder o “Tesão” pela vida, pelas coisas, por tudo!
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De renovar o nosso amor pela esposa ou pelo marido, mesmo depois de muitos anos de casado.
Ir trabalhar todos os dias com vontade de criar, de fazer coisas novas, de encontrar a saída.

Esse é o nosso maior desafio. Essa é a nossa maior vitória.

Ter a curiosidade de uma criança. Conseguir fazer os nossos sentidos perceber o mundo a cada dia. Valorizar as pequenas coisas do comum.
Se interessar pelo mesmo, percebendo que nada é o mesmo.
Renovar as Esperanças, a vontade, a Energia de Construir um dia melhor do que o outro.

Deise Fernandes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Diversos somos todos nós

Todos acreditamos na frase de Reinaldo Bulgarelli: “Diversos não são os outros, diversos, somos todos nós.” ninguém duvida que somos todos diferentes, com características físicas, psicológicas, e culturais muito diferentes, e quando pensamos na história mais e maiores diferença encontramos. Todavia, quando pensamos em uma pessoa com deficiência, essas diferenças vão além. As diferenças de uma pessoa com deficiência vêm carregadas de significados, de interpretações, que levam à construção de imagens, que por sua vez também estão carregadas de emoção, impregnadas das vivências ou não, com uma pessoa com deficiência. Isso sem falar do medo que todos temos de adquirir uma deficiência ao longo da vida.

Muitos foram os que tentaram eliminar a incoerência dos conceitos, mas a palavra “deficiente” tem um significado muito forte. Freqüentemente é confundido “deficiente” como antônimo de “eficiente”, que por sua vez leva à idéia de “incapaz”. Idéia que se fortalece, quando não existe vivência com uma pessoa com deficiência, ou se a vivência for com uma pessoa cuja deficiência seja de fato limitante e incapacitante.

E aqui outra questão aparece, “generalização”. de novo, a frase “Diversos não são os outros, Diversos somos todos nós”, não é aplicada para a pessoa com deficiência. O simples fato de ter uma deficiência semelhante ao outro, já é determinante que seja igual. As diferenças individuais, familiares, socioeconômicas, psicológicas, não são levadas em consideração.
A sociedade constrói seus valores culturais, se organiza conforme eles, e se expressam através das palavras. Portanto, o primeiro grande desafio das pessoas com deficiência é superar o significado e a imagem que lhes é imposta pela palavra “deficiente”.

Seu desafio começa na família, que não espera e nem quer ter um filho com deficiência, depois na escola, na sociedade, e por fim na empresa. Outro valor cultuado pela sociedade é o sucesso, que define que para se ter sucesso é necessário ser perfeito, completo, forte, ter tudo em ordem, portanto, aquele que não tem alguma parte do seu corpo, não pode conseguir o sucesso, a ordem, o progresso, e leva o estigma de dependente, com necessidade de tutela.

No fundo, a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” é muito mais frase de desejo do que de realidade, na medida em que a sociedade reconhece e valoriza os iguais, homogêneos, aqueles que de todas as formas atendam suas exigências.

O mais cruel é que a sociedade cria suas regras, e mesmo que essas sejam incoerentes ou injustas, todos acreditam e as seguem. Mesmo aqueles que são os estigmatizados acreditam que de fato são inferiores, menores, menos. E, as pessoas com deficiência também trazem dentro de si os conceitos impostos pela cultura, e precisam superar os sentimentos de inferioridade e incapacidade.

É necessário que se reconstruam esses valores, tanto da pessoa com deficiência, como da sem deficiência, porque as imagens construídas estão na cabeça dos dois lados, e de muitas formas se alimentam, impedindo que se estabeleçam relacionamentos responsáveis e sustentáveis.


Deise Fernandes