quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desafio de Vencer.

Desafio, segundo o Aurélio, é provocação.
Vencer: alcançar vitória ou vantagem, triunfar, ter bom êxito, obter resultado favorável.

Todos nós queremos vencer, ser vitoriosos.
E o que é vencer?
Para que queremos vencer?
E quando vencemos o que sentimos? Qual é a nossa vitória?

Muita gente nos considera vitoriosos. Somos de fato?
Lutamos muito para chegar até aqui. Estudar, Arrumar emprego, até mesmo termos algumas coisas materiais, fizemos muito para conseguir, quantas vezes amanhecemos acordados, estudando, até mesmo pensando como faríamos para resolver isso ou aquilo, para conseguirmos superar os obstáculos, que existem em tudo que fazemos.
Em todos os níveis, em todos os nossos papeis temos momentos de superação de desafios.

Quando de fato temos uma vitória, conseguimos vencer alguma coisa, que tenha valor para nós, e as vezes é absolutamente só para nós, sentimos uma imensa satisfação, uma alegria intensa, somos uma pessoa realizada, inteira, Vitoriosa.
Mas em pouco tempo, esquecemos, caí na rotina, não parece tão importante, outras coisas começam a surgir nas nossas vidas e a gente quer mais.

Quantos de nós tínhamos que entrar na faculdade era um grande feito, uma grande realização. Mas agora, depois de tanto tempo, e no meu caso, muito tempo! Eu terminei a faculdade em 79. já nem me lembro mais de como foi aquela vitória, e nem a alegria que senti quando consegui entrar na UNICAMP. Agora quero outros cursos, quero participar de congressos, de palestras, de conversas com quem entende de algum assunto. Já nem me lembro dos anos de faculdade.

Existe apenas uma conquista que não é assim.
É o desafio de Vencer a nós mesmos.
O Desafio de Vencer nossos limites, nossas dificuldades, nossos defeitos, nossa inércia.

Vencermos o desafio de não perder o “Tesão” pela vida, pelas coisas, por tudo!
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De renovar o nosso amor pela esposa ou pelo marido, mesmo depois de muitos anos de casado.
Ir trabalhar todos os dias com vontade de criar, de fazer coisas novas, de encontrar a saída.

Esse é o nosso maior desafio. Essa é a nossa maior vitória.

Ter a curiosidade de uma criança. Conseguir fazer os nossos sentidos perceber o mundo a cada dia. Valorizar as pequenas coisas do comum.
Se interessar pelo mesmo, percebendo que nada é o mesmo.
Renovar as Esperanças, a vontade, a Energia de Construir um dia melhor do que o outro.

Deise Fernandes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Diversos somos todos nós

Todos acreditamos na frase de Reinaldo Bulgarelli: “Diversos não são os outros, diversos, somos todos nós.” ninguém duvida que somos todos diferentes, com características físicas, psicológicas, e culturais muito diferentes, e quando pensamos na história mais e maiores diferença encontramos. Todavia, quando pensamos em uma pessoa com deficiência, essas diferenças vão além. As diferenças de uma pessoa com deficiência vêm carregadas de significados, de interpretações, que levam à construção de imagens, que por sua vez também estão carregadas de emoção, impregnadas das vivências ou não, com uma pessoa com deficiência. Isso sem falar do medo que todos temos de adquirir uma deficiência ao longo da vida.

Muitos foram os que tentaram eliminar a incoerência dos conceitos, mas a palavra “deficiente” tem um significado muito forte. Freqüentemente é confundido “deficiente” como antônimo de “eficiente”, que por sua vez leva à idéia de “incapaz”. Idéia que se fortalece, quando não existe vivência com uma pessoa com deficiência, ou se a vivência for com uma pessoa cuja deficiência seja de fato limitante e incapacitante.

E aqui outra questão aparece, “generalização”. de novo, a frase “Diversos não são os outros, Diversos somos todos nós”, não é aplicada para a pessoa com deficiência. O simples fato de ter uma deficiência semelhante ao outro, já é determinante que seja igual. As diferenças individuais, familiares, socioeconômicas, psicológicas, não são levadas em consideração.
A sociedade constrói seus valores culturais, se organiza conforme eles, e se expressam através das palavras. Portanto, o primeiro grande desafio das pessoas com deficiência é superar o significado e a imagem que lhes é imposta pela palavra “deficiente”.

Seu desafio começa na família, que não espera e nem quer ter um filho com deficiência, depois na escola, na sociedade, e por fim na empresa. Outro valor cultuado pela sociedade é o sucesso, que define que para se ter sucesso é necessário ser perfeito, completo, forte, ter tudo em ordem, portanto, aquele que não tem alguma parte do seu corpo, não pode conseguir o sucesso, a ordem, o progresso, e leva o estigma de dependente, com necessidade de tutela.

No fundo, a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” é muito mais frase de desejo do que de realidade, na medida em que a sociedade reconhece e valoriza os iguais, homogêneos, aqueles que de todas as formas atendam suas exigências.

O mais cruel é que a sociedade cria suas regras, e mesmo que essas sejam incoerentes ou injustas, todos acreditam e as seguem. Mesmo aqueles que são os estigmatizados acreditam que de fato são inferiores, menores, menos. E, as pessoas com deficiência também trazem dentro de si os conceitos impostos pela cultura, e precisam superar os sentimentos de inferioridade e incapacidade.

É necessário que se reconstruam esses valores, tanto da pessoa com deficiência, como da sem deficiência, porque as imagens construídas estão na cabeça dos dois lados, e de muitas formas se alimentam, impedindo que se estabeleçam relacionamentos responsáveis e sustentáveis.


Deise Fernandes

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NEGROS

Apesar dos 122 anos desde a assinatura da LEI ÁUREA, Libertação dos Escravos, ainda temos dificuldades de conviver com os Negros.
Quantos negros nós conhecemos? Quantos negros têm nos ambientes que freqüentamos? Nas empresas que trabalhamos? Na Escola? Nos bares e restaurantes?
Aqui no Brasil entre pardos e pretos, por auto-declaração, somam 51% da população.
Onde estão?
Ainda estão nos morros, onde foram se refugiar quando libertados em 1888;
Nunca conseguiram descer.

Se encontrarmos um negro em uma rua deserta no início da noite, quem de nós não terá medo? Nossas crenças e atitudes ainda são do Senhor do engenho.

A Jorgete Lemos, uma profissional de RH admirável, disse outro dia em uma palestra, que ser negro, é constantemente receber Olhares Atravessados.
E são esses Olhares, que impedem, espantam os Negros dos lugares, mesmo sendo públicos.

Quando um ou outro negro rompe essas barreiras, que por serem invisíveis são muito fortes começa outra luta tão ou mais difícil. Que é a ascensão na carreira, no caso de empresas, ou ser aceito nos ambientes sociais. Mais do que Aceitos, Serem bem vindos, serem tratados com igualdade.

Onde encontramos os Negros? O mais comum é na base da pirâmide. Os lugares reservados para os negros são pouco mais do que ocupavam na época da escravidão nas casas do Senhor de engenho ou no trabalho da lavoura.

O dia 14 de maio de 1888, que trouxe aos negros a Liberdade sem estrutura, sem Educação, sem trabalho, sem amparo, sem apoio, se arrasta até os dias de hoje.

Nós brancos nos defendemos com o argumento de que os negros não estão capacitados para o trabalho das empresas, porém não existe estrutura para que consigam se capacitar.

O preconceito no Brasil é invisível. Não raro colocamos a culpa no colo da vítima.
Podem perguntar para qualquer negro, eles irão contar uma história de exclusão. E também irão contar que quando, em algumas raras vezes eles reclamaram, o ofensor, invariavelmente responde, mas como, eu? De jeito nenhum, é você quem esta vendo isso, eu não disse e nem tive essa intenção.

Quando será que de fato Libertaremos os Negros?
Quando os aceitaremos como Brasileiros e não os julgaremos pela cor da pele?

Enquanto não conseguirmos aceitar “TODOS” como iguais, teremos dificuldade de construir um Mundo melhor e mais justo.

Deise Fernandes.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

MUDANÇAS

Apesar de acreditarmos que tudo muda que todos passamos por Mudanças diárias, temos medos e inseguranças quando elas são mais perceptivas. Na verdade, a Mudança de fato acontece a cada minuto, e queiramos ou não temos que enfrentá-las, a grande questão é o quanto queremos ou podemos nos Transformar com elas. A mudança vem do externo e o que fazemos com ela, como a encaramos e o quanto elas irão nos transformar, vem de dentro, Cada um teremos que fazer nossas Escolhas, e sabemos o quanto são doloridas e desafiadoras.

Já faz muitos anos que um grande amigo, João, me fez imaginar a cena do trapézio, e nunca mais esqueci. Sempre que tenho que enfrentar alguma mudança essa Imagem me vem à cabeça.

Imagine dois Jovens sentados em dois trapézios, e vagarosamente começam a balançar.
Chega um momento que um deles vira de cabeça para baixo em seu trapézio.
O outro, quando percebe que o amigo já está em posição, pula do seu, para se agarrar na mão que está estendida.
A altura dos dois trapézios é de mais de 10m, e não existe rede de proteção.

Nessa imagem, tão simples, e vivida por todos nós em algum circo da infância, trás os mais importantes pontos sobre a tão temida Mudança.

Uma das reflexões que podemos fazer é que o segundo Jovem só pula do seu trapézio, porque confia no outro amigo, e na situação que vai encontrar.
Outra, é que antes de subir para aquele trapézio, e fazer essa apresentação, eles treinaram muito, estudaram muito, refletiram muito. Ninguém é louco de pular no ar sem saber minimamente o que está fazendo.

Outra ainda, é que existe um tempo para que se pule de uma situação para a outra. Se deixar que o trapézio fique muito lento, pode não alcançar a mão do amigo, como também se pular com muita velocidade pode não conseguir se segurar. Temos que ter sensibilidade em saber a hora de mudar de situação. Quando deixamos passar muito tempo, fica cada vez mais difícil, ou se formos precipitados podemos errar o pulo.

Podemos ainda refletir, sobre o momento que ele fica no ar. No caso do trapezista, por segundos, mas em nossas mudanças, nem sempre é tão rápido, aquele momento em que ficamos sem chão. Não temos mais condições de voltar a situação anterior, e ainda não estamos na situação nova. O que sabíamos não serve mais, e ainda não aprendemos o novo. Esse momento é de muita insegurança, mais passa quanto mais termos consciência que ela existe, mais rápido vai passar. Pior mesmo é quando ficamos com saudosismos inúteis.

Ninguém disse que viver é Fácil, que enfrentar mudanças, desafios, é tranqüilo, mas sabemos que são necessárias e que quase sempre não tem Rede de proteção, é ao vivo e a cores e sem ensaios.

Nossa melhor resposta para a vida é não desistir, e seguir sempre em frente.

Deise Fernandes

Rose

Todas as profissões têm valor e importância, principalmente se o profissional que a exerce sabe aproveitar as oportunidades para seu próprio crescimento e colaborar com o desenvolvimento dos outros.

A Rose é uma pessoa que sabe fazer isso muito bem, cuida das mãos e dos pés de muitas mulheres todas as semanas, e aproveita esses encontros para aprender e ensinar.
Sempre que chego ela me pergunta: O que foi que vc aprendeu nessa semana e que pode me ensinar? É incrível a vontade que a Rose tem de aprender coisas novas, de partilhar o que sabe.

Sempre se colocando a disposição das freguesas em ouvir suas angústias e dificuldades, tendo uma palavra de consolo, de conforto e de ânimo.
É muito alegre, sempre rindo, e com uma disponibilidade para o trabalho que é impressionante.
Não teve oportunidade de ter uma Formação, mas não tenho dúvida que seria uma das primeiras alunas do curso se pudesse ter freqüentado uma Universidade, arrisco a afirmar que teria feito Medicina. Tem uma forte vocação para a Cura.

Bem humorada cheia de frases, histórias que nos divertem muito durante o tempo que estamos com os pés e mãos imobilizados. E certamente com tanta energia boa, somos presenteadas com o toque que nos faz, e saímos invariavelmente muito melhores do que quando chegamos.

Obrigada rose.
Parabéns, pelo dia 14 de junho, dia da manicure.
Parabéns, por conseguir transformar sua profissão em ambiente tão agradável e tão cheio de aprendizados.


Deise Fernandes

segunda-feira, 21 de junho de 2010

MULHER-MÃE

Outro dia fui convidada para fazer uma palestra para um grupo de mães em uma Casa espírita, e foi muito interessante as reflexões que fizemos.
Os objetivos eram contribuir com as mães dessa casa espírita, sobre o papel de mãe, particularmente em relação ao sentimento de Resolvedora de todos os Problemas da Família versos o sentimento de culpa que aparece quando não consegue fazê-lo.

O ponto inicial é o Papel da Mulher perante a sociedade.
Tudo o que se espera de uma Mulher, e o que não se espera que ela faça.
Toda mulher precisa, necessariamente, ter noções de cozinha, arrumação de casa, educação, paciência, compreensão, perdão, meiguice, beleza, calma, moda, roupas limpas e bem passadas, união da família, saber mandar, pedagogia, para poder ensinar os filhos na lição de casa, ser sensível, inteligente, bonita, magra, econômica, ajudar o marido, e muito mais....
Como mulheres, temos algumas coisas a cumprir, temos expectativas a preencher, que foram criadas, antes mesmo de nascermos.
A cultura, como nos organizamos economicamente, são determinantes do jeito que somos educadas, e mesmo que sejamos rebeldes, ainda sim, traremos conosco esses traços da cultura do nosso tempo.
Nos dias atuais, particularmente para as mães a partir de 30 anos, o peso da cobrança, da insegurança, até mesmo da incoerência, é uma marca inconfundível. Quantas de nós, em muitos momentos não sabemos o que fazer como agir, qual é a melhor decisão.
Por um lado, fomos criadas para outro jeito de viver, que não corresponde em quase nada com o que está na sociedade. Por outro lado, nossos filhos, que estão nesse mundo de meu Deus, trazem cobranças, questionamentos, dúvidas, exigências, que não sabemos como resolver. Nunca houve uma geração tão cobrada, tão colocada na parede.
Diferente de nós, nossos filhos, não aprendem com um olhar, com um assobio, com uma ordem. Eles não são sensíveis por esses sinais. Eles querem muito mais! Querem coerência, querem atenção, cobram comprometimento de cada uma de nós. Muitas vezes, mais do que conseguimos agüentar.
E não são só eles!
Somos apertadas pelos maridos, para que sejamos bonitas, inteligentes, donas de casa, boas mães, e que tragamos dinheiro para casa a fim de colaborar com o orçamento.
Como profissionais, somos exigidas até o sangue, um pouco para provarmos diariamente que somos capazes, outro porque queremos criar imagem de Eu Consigo.
Essa Imagem é um dos pontos que nos escravizam. Que nos amarram nos preconceitos, nos juízo de valores, no que deveria ser, e não no que é de fato.
Criamos em nós, através do que nossas mães ensinaram, pelos livros, pelas histórias, pelas nossas vivências, que toda Mulher tem que ser mãe. Que toda mãe tem que amar seus filhos incondicionalmente. Que esse amor, significa cuidar, proteger, encaminhar, e até mesmo controlar suas vidas.
Que temos obrigação de saber mais do que eles, de antecipar os problemas e evitá-los.
No nosso dia a dia sabemos que tudo isso não é toda verdade.
Existem outros sentimentos e outras ações misturadas a esses tão exigidos e esperados de nós.
Não sabemos tudo. Temos muito medo e insegurança de errarmos em nossas decisões.

Não estamos sempre dispostas a nos dedicar ao filho todas as nossas horas, dias, semanas, meses e anos. Também queremos cuidar de nós! Sentimos saudades de ficarmos sozinhas, de dormir até tarde, de chorar um pouco, de pedir colo, de ser cuidada.
Não fomos preparadas para ser mãe.
Não temos a menor noção do que isso significa, a não ser quando os professores nos acusam que não estamos cuidando corretamente de nossos filhos. Com os olhos cheios de lágrimas e com um aperto no estômago, perguntamos: Como assim?
O que devo fazer?
Se deixo fazer tudo, não está certo.
Se exijo disciplina, também somos muito radicais.
Se damos tudo que pedem estamos criando filhos mimados.
Se não o fazemos somos negligentes!
O que devemos fazer?
São raras as vezes que sabemos com segurança.

Essa é a mãe moderna.
Aquela que tem um monte de medos, de insegurança, de equívocos, de vontade de acertar.
Aquela que aprende a amar seu filho, no dia a dia, a cada experiência vivida.
Aquela que sabe que viemos juntos porque temos algum comprometimento e que, portanto, temos muito que aprender juntos! Que tanto vai ensinar como aprender com o seu filho, desde o momento de seu nascimento.
Aquela que acredita no diálogo, na troca de vivências com seu filho, porque sabe que ele não tem a idade que aparenta ter, mas que seu espírito é muito mais velho, e que pode sim, ter opiniões e idéias tão ou melhores do que a sua.
Aquela que acredita que a família é a primeira escola para a Evolução e que sabe, que é dentro dela, nos relacionamentos que vai se dar a maior parte da nossa evolução.
Aquela que desenvolve a paciência, a calma, a generosidade, em aceitar os Espíritos que vierem como nossos filhos. Assumindo a nossa parte na evolução de todos.
Aquela que não se sente a dona da verdade, muito pelo contrário, sabe que precisa dos filhos, do marido, dos amigos, de todos para que consiga superar os desafios.
Aquela que sabe que filhos e Mães são companheiros de viagens e precisam um do outro para Evoluir.

Deise Fernandes.

domingo, 20 de junho de 2010

FOMES!!!

Hoje lembrei-me da Fome, pensei nas “Fomes” que temos, de todas as fomes, as sólidas com gosto e cores, mas também das que são invisíveis mas causam desnutrição e doenças tão ou mais do que as primeiras.

A minha geração, tem “fome” diferente das gerações mais novas, que também são diferentes das gerações mais velhas, mas todas têm pontos em comum:
Temos fome da Verdade.
Temos fome da Justiça.
Temos fome de amigos.
Temos fome de respeito.
Temos fome de desafios
Temos fome de simplicidade.
Temos fome de sermos valorizados e aceitos, mais do que Aceitos, sermos bem vindos nos lugares que freqüentamos.
Temos muitas fomes comuns, porque são necessidades universais, eternas.
Na verdade são Valores Éticos.
E são desses valores que sentimos falta, sentimos fome!

A crise que enfrentamos, dizem os grandes pensadores, como Leonardo Boff, Leo Buscaglia, Edgar Morin, a verdadeira Crise dos dias de hoje é “Falta de Valores éticos.
Falta de celebrar o Sagrado”.

Acabamos banalizando, minimizando e deteriorando tudo.
Até mesmo nós como SER Humano.
Edgar Morin, no livro os 7 saberes da educação do futuro, diz que “...precisamos aprender a condição Humana, compreender o Ser humano”.
A gente se perdeu.
Em algum momento da nossa Caminhada, a gente se perdeu. Ou pelo menos, fomos deixando no caminho, perdendo na beira da estrada esses Valores que tanto nos fazem bem, que tanto nos fazem falta.

É possível que você que está lendo esse texto, esteja se perguntando, mas porque estou lendo isto? Porque estou perdendo meu tempo em ler essas coisas?
Sobre ética e ser Humano. Não tenho tempo para perder com o que essa Pessoa pensa a respeito desses temas. Em que ela se baseou? Onde está a fundamentação teórica?
Aqui está o problema.

Estamos tão apartados de nós, do Humano, que queremos a lógica, o racional, o planejamento, os objetivos, os resultados, os gráficos, a regra, a política, as evidências.
Esquecemos que o racional, o que tanto valorizamos e que é valorizado pelas Empresas é apenas um barquinho no mar de emoções que é o Ser Humano. Que no final de tudo o que decide o que escolhe, o que determina são nossas emoções, nossas experiências.
A maior parte do nosso tempo somos emoções.
E é por elas e através delas que vamos fazendo nossas Escolhas, criando, imaginando, fantasiando, fortalecendo modelos mentais, que insistimos em acreditar que são Verdades. As vezes nem temos consciência de estarmos sendo guiados por eles de tão enraizados, tão dentro de nossas atitudes estão. E nem percebemos que são crenças que herdamos que se pensarmos um pouco nos assustaremos com tanta bobagem, com tantos conceitos ultrapassados.

A questão maior é que nenhuma dessas Crenças, dessas Verdades, estão fazendo com que a gente seja mais Feliz.
Que a gente seja mais generoso conosco e com os outros.
Temos falhado muito em muitos pontos nos relacionamentos.
Avançamos em muita coisa, mas estamos na idade da pedra no que diz respeito aos relacionamentos.

Ainda olhamos de forma diferente para um ser humano que é da cor preta.
Para quem é mais velho ou que não tenha um pedaço do corpo ou mesmo uma parte dele que não funcione bem.
Para as Mulheres, homossexuais e os ex-presidiários.

Muitos de nós reagimos veementemente e com verdade: Mas não é bem assim! Tenho amigas mulheres maravilhosas!
Negros incríveis. Ok, deve ser verdade, existem muitos exemplos que conseguiram furar as barreiras e alcançaram sucesso e até notoriedade, apesar das dificuldades, mas a reflexão é do coletivo, e não do particular.

Se observarmos no coletivo vamos assustar.
O número de pessoas que excluímos é assustador, as estatísticas estão aí para provar. Como sociedade rotulamos e desprezamos todos os que não estão dentro dos padrões, das regras, que nosso consciente coletivo determinou como Certo, Verdadeiro, aprovado.
Não raro somos nós mesmos os excluídos. Quem não tem uma história de exclusão para contar? Pela cor do cabelo pela roupa que veste pelo conhecimento que tem enfim, por qualquer diferença que esteja em dissonância com a situação que estamos no momento.

E certamente não nos sentimos confortável em sermos postos de lado.
Está mais do que na hora de revermos nossos conceitos. De forma definitiva, profunda e Humana. Esse é o convite e um grande desafio dos tempos que se avizinham.


Deise Fernandes