sexta-feira, 18 de junho de 2010

Resistência.

Quando criei esse blog foi com a intenção de escrever o que viesse em minha cabeça. Não sou jornalista, nunca fiz nenhum curso de redação, não tenho vocação para poeta, portanto, seriam textos simples, mas que registrassem minhas reflexões do momento.

Nunca pensei que esse Blog fosse um espaço para assuntos da minha vida como Deficiente visual. Eventualmente poderia aparecer temas nesse sentido, mas não necessariamente.

Tenho recebido inúmeras sugestões, questionamentos, solicitações, que eu escreva sobre minha vida de Deficiente visual. Tenho resistido até mesmo me negado em fazê-lo.
Quem me conhece sabe que não tenho nenhum problema em falar sobre minha cegueira e as grandes experiências que tenho oportunidade de vivenciar, mas fico muito incomodada com essa insistência que escreva aqui sobre esse assunto. A impressão que eu tenho é que só querem saber sobre como eu vivo com a Deficiência Visual.
Tem tantas outras coisas legais na minha vida!

Entendo que haja algum interesse e curiosidade de como fazemos isso ou aquilo, mas não precisava ser tanto! Penso que já existem informações suficientes na mídia.
A cada pouco leio algum artigo ou reportagem sobre a Vida de um Deficiente.
Será que já não está na hora de avançarmos?
Pensar no que os Deficientes pensam e como poderão agregar para os grandes dilemas da sociedade?


Acabei de ler um texto do Jairo, - JAIRO MARQUES *

Sobre O sexo dos cadeirantes, muito legal, trás uma reflexão muito interessante do ponto de vista do Deficiente.

Os sem Deficiências tem curiosidades.
Os com Deficiência, gostariam de ter o direito de só falar sobre sua vida quando quiserem.
Será que um dia desses nos entenderemos e chegaremos a um ponto em comum?

Deise Fernandes.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ÁRVORES

Acredito que as árvores fazem parte da historia de todos nós.
Lembro-me perfeitamente da que foi minha companheira de infância, era bem grande, uma Mangueira e de Manga espada.
Ficava no quintal da minha vó, e servia de boas brincadeiras com meus irmãos nos dias que minha mãe nos deixava lá para fazer alguma coisa que nós não poderíamos estar juntos.
Tenho saudades, lembrando-me agora das brincadeiras, do quanto sua sombra era confortável, e seus frutos doces e saborosos. Os anos se passavam, eu crescia e lá estava ela sempre tão generosa.

Na Escola foi o primeiro desenho que consegui fazer, uma árvore, só depois desenhei a casinha.

No ginásio, (na minha época era Ginásio e não Ensino Fundamental) Aprendi que eram as folhas das árvores que faziam a tal da “fotossíntese”, coisa complicada de entender, mas que no final das contas eram elas que limpavam o ar.

No quintal da minha casa havia muitas árvores, a maioria de frutos, pêra, laranja, limão, mamão, nas casas das minhas amigas tinham também muitas árvores, nas Praças, ruas, estrada que levavam aos sítios e Fazendas, naquela época Estrada de Terra, eram cheias de árvores.
Árvore sempre fez parte de nossas vidas, e com elas os passarinhos.

E hoje, mais do que nunca elas precisam voltar a fazer parte de nossas Vidas, voltar a nascer em nossos quintais, nas Praças, nas ruas, e pasmem, nas Florestas!
Sempre aprendemos que Floresta é um espaço cheio de árvores, mas ultimamente até esse conceito está mudando.

Precisamos retornar as nossas origens, valorizar o que sempre foi tão generoso e amigo. Precisamos voltar a respeitar as árvores, e dar mais valor a elas em pé, do que deitadas.

Precisamos reconhecer que dependemos das árvores para muitas coisas, para que limpem o nosso ar, para que nos ajudem a evitar o Aquecimento Global, para que possamos voltar aos tempos de poder ir buscar um limão no quintal, uma laranja, ou mesmo a minha manga Espada.

Precisamos perceber a importância de plantar a idéia de viver O SIMPLES o natural com a inteireza da natureza, que sustentabilidade é viver de forma simples, na harmonia do homem com o homem e seu meio-inteiro ambiente.

Deise Fernandes.

domingo, 30 de maio de 2010

POESIA!!!

Apesar do dia ter amanhecido fechado, cinzento, pensei em escrever uma poesia.
De bate pronto não consigo ter inspiração para palavras bonitas e sensíveis.
Verifiquei uma pasta onde tenho um monte de mensagens, sempre leio e gosto, fui abrindo uma a uma para ter idéia de uma poesia bem legal.

Li quase todos os arquivos e não consegui escrever nada que me agradasse.
Nada fica tão bonito e tão emocionante como os textos que tenho arquivado.
Tenho que admitir que escrever poesias não é minha competência.
Sou racional demais, prática demais!
Para ser poeta é necessário ser mais sensível, mais emocional, mais coração, saber lidar mais com os sentimentos, ter Olhos e ouvidos diferentes dos meus.

Posso praticar um pouco, colocar uma música para me envolver, escrever alguma coisa que faça sentido, mas certamente terei de “nascer de novo” para escrever uma Grande Poesia.

Não estou me limitando ao constatar essa verdade, ao contrário, estou sendo sincera comigo, tendo clareza e consciência do que sou e para que vim.
Não foi para escrever poesias. Apesar de achá-las maravilhosas, que embelezam nossas vidas, mas na divisão das tarefas aqui na Terra, essa não é a minha parte.

Nesse ponto comecei a me questionar, qual será então a minha parte?
Qual é minha responsabilidade? Qual é o legado que vou deixar na minha passagem?
Descobri que são muitos!

Deixo meu exemplo nas coisas que faço, na alegria de viver, na vontade de acertar, coragem de enfrentar novos desafios, perseverança de não desistir, mesmo quando tudo parece perdido, disposição para trabalhar, disponibilidade para ouvir, determinação em me manter no caminho do bem.

Tenho sim a minha parte, inclusive aquela de ler as poesias que as outras Pessoas escrevem e me Encantam com elas.
Afinal é necessário os que escrevem, e também os que lêem!

Deise Fernandes.

domingo, 23 de maio de 2010

Desperdício

Acabar com o desperdício, é um grande passo para colaborarmos com Equilíbrio do Planeta.
Apenas deixar de comprar o que não precisamos, nos levará a um consumo menor, e por conseqüência menor extração de matéria prima das riquezas Naturais.

Tem lógica, faz sentido, é um argumento válido e entendível, mas como é difícil pratica-lo! Somos filhos do Capitalismo, onde o TER é muito maior do que acumular coisas que não precisamos.
Poder comprar, ter a casa cada vez maior, o carro do ano, a roupa da moda, ir as festas, viagens, nos trás a sensação de Poder, de Felicidade, de Plenitude. Faz-nos sentir uma Pessoa do nosso tempo, dentro do que é mais moderno e atual.

Teremos dificuldades de evitar as compras, o sentimento de Consumista.
Não vai ser fácil deixar de entrar em uma sapataria e comprar sapatos, bolsas, roupas em liquidação, aquelas que estão na moda, parece que não estamos vivas se deixarmos de fazê-lo.


Fomos educados a ter esse olhar e valorizar o material. O espírito, sentimentos, as ações generosas, ficam para os Espiritualistas, religiosos, ou em momentos que estamos muito fragilizados e debilitados e percebemos o quanto nos fazem falta esses bálsamos.

Nesses momentos, em geral de doenças, angústias, grandes decepções, conseguimos resgatar nossos sentimentos mais profundos, mas não dura muito tempo. Assim que melhoramos um pouco, voltamos as práticas já solidificadas dentro de nós.

Temos um grande desafio, precisamos encontrar um Caminho para Mudar o Olhar,elevar nossos pensamentos e transforma-los em ação efetiva, olhar em volta e perceber aquilo que é desperdício e conseguirmos viver com o suficiente.

Mas antes, precisaremos entender o que é Suficiente, com a cabeça do Consumo sem limites, não iremos avançar, nada vai melhorar.
Vamos ter que repensar nosso jeito de Olhar e aceitar a nós mesmos, de compreender o outro, de ser sensível e ver as mudanças na Natureza, de perceber o que está acontecendo com a nossa vida.

É um desafio considerável, mas se conseguirmos seremos conhecidos como a Geração que Salvou a Vida no Planeta.

Deise Fernandes.

domingo, 16 de maio de 2010

SUSTENTABILIDADE

Na semana passada participei da Conferência Internacional do Instituto ETHOS, que nesse ano teve o tema: “O MUNDO SOB NOVA DIREÇÃO”.
Durante quatro dias mais de 1000 pessoas ficaram dentro de um Hotel em São Paulo, ouvindo, aprendendo, dialogando, sobre a situação atual e as alternativas para a qualidade da Vida no Planeta, levando em consideração os aspectos econômicos, sociais e ambientais.

Todos os palestrantes, cientistas e estudiosos do mundo Inteiro, trouxeram a urgência em mudarmos de crenças, de atitudes, de direção, do contrário estamos condenando a vida no Planeta para no máximo mais 100 anos. Alertaram que o Planeta continuará, não é a Terra que está correndo risco, mas a Vida que vai terminar. Os Seres Vivos do nosso Planeta não conseguirão sobreviver com as condições do clima, da poluição das águas, do ar e da terra.

Falaram sobre a Ética, de uma Democracia Comunitária e Planetária, da Afetividade, da disposição para a Paz, para a colaboração, cooperação, consumo consciente, visão sistêmica, da inclusão de todos os seres vivos como nosso irmão, como possibilidade única de enfrentarmos esse grande desafio. O maior que a Humanidade já enfrentou.

Aprendermos com os animais, como vivem, como enfrentam as dificuldades, respeitar o que nos garante a Vida, criar vínculos afetivos com todas as pessoas e todos os seres vivos, parar de pensar e trabalhar para a Guerra e se dedicar a PAZ, combater o individualismo, o egoísmo, o orgulho, a ganância, ainda é a única forma de conseguirmos parar com a destruição da Vida no Planeta, e depois revertermos ao máximo o que já fizemos, e que sabemos que nem tudo será possível recuperar.

Os Valores que deixamos de seguir desde o século passado, que levou a Falta de Cuidado com as pessoas e com o Planeta, e que ainda nos fazem falta para colaborar com a Vida no Planeta Terra, são aqueles que aprendemos desde a muito, mas que ainda não conseguimos de fato, colocar em prática.

Desta vez, não temos alternativa, chegamos no limite. Mudamos nosso jeito de ver e fazer as coisas ou Mudamos nosso Jeito de ver e fazer as coisas.
Ao contrário, não teremos história para contar. Não haverá Vida Humana no Planeta.


Deise Fernandes.

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das Mães

Hoje já li tantas mensagens para as mães! Com várias conotações, mas a maior delas é do amor Incondicional. Eu concordo, sei o quanto amo meus 3 filhos, mas quero trazer outra reflexão.
Na verdade, esse dia foi criado pelo Comércio. Para uma pessoa tão importante na vida de todos nós, criar um dia, uma data que podemos homenagia-la, é um prato cheio para mais vendas no comércio de toda ordem.

Não podemos deixar de ter essa consciência, mas esse dia trás também oportunidade de pensarmos nesse papel que a maioria das mulheres tem, e que as que não tem, exceto as que é opção, sofrem por não poder serem chamadas de mãe.

E sofrem de verdade! As que conheço sofre mais de não ser mãe dos que as mães sofrem com seus filhos.

Porque nenhuma de nós pode negar o quanto é maravilhoso ser mãe, e na mesma medida, (as vezes até mais) o quanto é sofrido em sê-lo.
Como dizia o poeta vinícius de Moraes: “ Filhos, melhor não te-los, mas se não te-los, como sabe-los.”

Em definitivo, ser mãe trás sofrimento, preocupação, angústia, e até desespero.
Em agosto do ano passado, meu filho andré, teve gripe que evoluiu para peneumonia. Ele sarou em uma semana, eu ainda estou doente por conta disso. Tive um desespero tamanho, perdi o chão, o ar, o equilíbrio de uma certa forma, que ainda não recuperei totalmente minhas forças físicas e emocionais.

Situações como essa acontece com todas as mães, todas que sofrem profundamente com a saúde de seus filhos, com sua segurança, quando saem para as baladas e festas e voltam de madrugada.

Meu Deus, quanto rezar!
Quando estão em dúvida de que faculdade fazer, e ao procurar no jornal o resultado do vestibular! O coração vem na boca. Nas entrevistas para emprego, na torcida de que encontrem um parceiro amoroso, atencioso, que o faça feliz.
A vida de mãe é rezar, pedir a Deus que os proteja, que os ajude, que os ilumine.

Estamos sempre com o celular ligado, mesmo de madrugada, aliás, principalmente de madrugada. E se precisarem de alguma coisa!

É comum nossos maridos ficarem de lado. Vamos sair para passear, mas depois de 2h, o pensamento vai para os filhos. Como será que estão se arranjando? Será que irão comer? Se agasalhar? E olha que meu filho caçula tem 21 anos!
Sei que não sou a única, quase todas as mães do mundo pensam assim.

Somos muito carinhosas, preocupadas, cuidadosas, ansiosas, algumas vezes exageradas na proteção e no senso de responsabilidade com os filhos.
Apesar de algumas diferenças de época, nossas mães foram do mesmo jeito, e as mães de nossas mães também, isto é, desde que o mundo é mundo, depois de sermos mães, parte de nossas vidas, de nossas preocupações e cuidados, ficam vinculadas aos nossos filhos.

Grande parte de nosso amor, de sentimentos, da parte boa que temos, também é por conta deles.

São eles que nos ensinam a ter paciência, como nenhuma outra experiência consegue.
Ser menos egoísta, ser mais carinhosa, atenciosa, desapegada, até mesmo ter mais vontade de melhorar pessoal e profissionalmente.
Ser mãe é uma enorme oportunidade de crescimento, de evolução.


Uma vez li em um pára-choque de Caminhão: SER MÃE É PADECER NO PARAISO.
Perfeita definição. É exatamente esse sentimento.

Sou mãe, porque meus filhos existem.
E essa é a mais forte experiência de Vida compartilhada, dedicada, amorosa que tenho.
É sem dúvida a experiência que me faz crescer todos os dias.

Filhos, obrigada por serem meus Filhos.

Deise Fernandes/ Mãe

segunda-feira, 3 de maio de 2010

AUTO-ESTIMA

Todos temos consciência que precisamos acreditar em nós, em nossas capacidades para conseguirmos realizar nossos Sonhos.
Sabemos ainda que temos muitas qualidades, competências, potencialidades, e que sem dúvida poderíamos fazer, conquistar, enfrentar muitas coisas. A questão é, Porque nem sempre acionamos essa Pessoa em nós?

Parece que temos várias pessoas dentro de nós, aquela que tem coragem e enfrenta os desafios, aquela que tem medo e fica imobilizada diante das dificuldades, aquela que tem vontade de avançar, aquela que tem preguiça de sair do lugar, aquela que quer ser carregada, outra que quer liberdade para Caminhar.
Temos todas elas, o que faz a diferença é qual delas está de plantão na situação.

Qual delas estamos alimentando no nosso dia a dia.
Qual delas queremos que seja a nossa verdadeira face.
O que também depende de toda a nossa história e nossas experiências.
As oportunidades têm muita influência na escolha de quem queremos ser.
Quem queremos acionar nas diversas situações.

Se por acaso conseguimos mais sucesso com a Pessoa frágil, temos a tendência de nos colocarmos assim em situações difíceis, mas se ao contrário, o que resultou foi o posicionamento guerreiro, vamos acionar essa força para todas as situações.

Tem a ver no fim e acabo com aquilo que nos faz mais Felizes, o que também tem sentido com nossos valores, crenças e Ética.


No fundo todos temos auto estima, de verdade, todos queremos Conquistar e avançar ao encontro de nossos Sonhos, a diferença é como estamos fazendo isso.
Como queremos conquistar e superar nossos desafios.
Como estamos construindo nossa Felicidade.
O que Escolhemos para Viver melhor.

Deise Fernandes.